Película #64 - Melancholia
Dirigido pelo polêmico Lars von Trier, que inclusive foi convidado a não voltar mais a Cannes por comentários sobre Hitler feitos no painel deste filme. Melancolia conta a história de duas irmãs; Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg).
Justine leva sua vida fazendo as coisas no modo “automático”, trabalhando em um emprego que não lhe agrada com um chefe babaca e casando com seu namorado de longa data. Claire é a responsável por fazer a festa funcionar, uma festa muito chique realizada em um castelo maravilhoso, mas nada parece agradar a irmã.
O ponto forte do filme é focar na reação humana ao fim eminente. Diferente da maioria do que se vê no cinema americano, Lars não mostra como os habitantes das grandes cidades reagiriam a uma catástrofe como essa, mas sim como pessoas complicadas, com personalidades próprias reagiriam a isso isoladas do mundo.
Regada a boa música clássica, vemos principalmente na primeira parte do filme takes maravilhosos, com cenas em slow motion que são fantasticamente bonitas. Em contrapartida a isso, nos sentimos mal com toda a melancolia da personagem principal e toda a roupa suja lavada pela família, o que chega a incomodar.
A segunda parte do longa nos faz ligar um pouco mais para os personagens, ali percebemos como cada um lida com o que aconteceu, e o que está para acontecer. Nesta hora, Claire mostra seu lado humano mudando sua ideia sobre o que acreditar o tempo todo; seu marido tende para o lado da ciência e diz que não haverá colisão, enquanto sua irmã depressiva está crente de que o fim é inevitável.


Apesar de atuações perfeitas, fotografia e trilha sonora muito boas, o filme falha na hora de cativar o espectador. Se não sentimos a dor que as irmãs estão sentido, não há tanta emoção como deveria, e assim o filme quase perde sentido. Melancolia é uma obra depressiva, que praticamente faz uma apologia a dor e a depressão. Vale a pena ver e refletir, mas assista algo mais leve em seguida.
Por Anderson Tomazi











