Película #72 - Michael
Michael é um filme de drama de 2011 dirigido pelo austríaco Markus Schleinzer, que lembra o famoso caso de Natascha Kampusch, mas do ponto de vista do ofensor. Estreou no Festival de Cannes, onde causou polêmica.
Schleinzer, que foi diretor de casting de vários filmes de Michael Haneke, vencedor da Palma de Ouro há dois anos com “A Fita Branca”, evita aqui qualquer exibição de cenas mais fortes ou violentas. Em cenas longas e com uma fotografia limpa, ele aborda de forma metódica o comportamento do pedófilo Michael - que dá nome ao filme - mostrando um corretor de seguros que aparentemente leva uma vida normal, a não ser por manter preso no porão de sua casa um garoto de 10 anos, Wolfgang, do qual abusa periodicamente.

A ausência de trilha sonora ajudam a criar um clima tenso, claustrofóbico e agonizante, combinando perfeitamente com a atuação impecável de Michael Fuith (inicialmente ele não queria interpretar o papel, mas diante do desafio acabou aceitando), que ao incorporar o pedófilo sequestrador, simplesmente adotou uma personalidade vazia, desprovida de sentimentos e amoral.
Este filme não tenta explicar o comportamento do agressor, nem tenta entender as motivações, simplesmente mostra a relação entre agressor e agredido. Não é fácil de ver.
É lento, forte, subjetivo e autêntico.
Por Anderson Tomazi






















